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Elis

Eu queria dar o nome. Queria alisar a barriga de minha mãe para sentir que ela se movia dentro.

-Qual o nome? Perguntou mamãe no dia de sol.

-Margarida.

-Mas por quê? (só os filhos respondem os porquês dos sete anos convincentemente)

-É o nome da minha amiga de aula, que é albina. Eu acho ela linda.

A avó riu, dizendo que parecia nome de bisavó. Só vó Maria poderia fazer dessa uma dedução lúcida e engraçada ao mesmo tempo.

Quando Elis chegou no colo de mamãe em casa, já era Elis.  Seu cabelo castanho, tufo arrepiado. As mãozinhas fofas, com furinhos. Era minha margarida. Minha flor-bebê. Eu virei uma abelha na hora em que a vi. Por dias fiquei sobrevoando e zumbindo palavras suaves em seu ouvido. Aprendi a falar baixinho para não perturbá-la. Pedi para não ir à aula, para poder ficar rondando. Com uma semana já sabia todos seus chorinhos. Mamãe não pôde estar a sós com a bebê. Eu fechava as janelas para a hora do banho, escolhia as roupinhas, segurava a mão enquanto ela mamava. Assim, o umbigo caiu. E ali me conectei instantaneamente.

Nosso avô Ary fala que ela é a atriz preferida dele. Por motivos de saúde, ele nunca pôde assistir sua atriz no palco. Mal sabe ele que só viria a reafirmar seu pensamento. No Teatro algumas vezes (menos vezes das que quis), pude comprovar o seu talento. Senti-me diversas vezes em seu jardim, contemplando novamente minha flor.

A admiração é uma coisa que leva tempo. E minha admiração por Elis foi construída em cada folhinha de bem-me-quer. É tudo que eu vislumbraria ser. Realista, firme, consistente (com um milhão de pozinhos de pólen de braveza). Tudo que não sou: o coração enorme, altruísta. A vontade de contestar, exigindo que se exerça o bem. Quando minha flor saiu para o mundo, em busca dos seus sonhos, eu vibrei em emoção. Foi isso, foi espalhar seu dom.

E quando um dom se espalha, é para tocar vidas. É como um sol no dia de flor. Um narizinho de palhaço acariciando uma bochecha. Uma abelhinha que ronda o sorriso de quem não desiste.

Minha doce Elis, não se inquiete. Que nossa vida é palco, e improvisa quem batalha. E você é presente que chega na manhã, de leve, com covinhas no semblante.

Mamãe tinha afinal, razão.
É o seu nome que deveria ser dado à flor.

Luiza Versamore







Gabi

O bebê mais risonho do mundo. Uma menina doce com cara de sorriso. Ela sorri toda, desde pequenina. Quando sorri, o sol se derrama dentro da gente.

Eram sete da manhã quando Gabi abriu os pequenos olhinhos verdes, ainda no berço. Piscou e imediatamente iluminou o quarto. Acordei com sua luz abrilhantando o ambiente. A espiei sorrateiramente. Um riso desdentado apareceu. Eu ri de volta. Minha irmã mais nova era o bebezão que eu queria ter pra brincar quando pequena. Era a boneca que emitia sons, barulhinhos engraçados. Era a boneca com cheirinho de xampu infantil. Minha boneca. Eu era magrela, bracinhos de grilo. Não podia pegá-la no colo sem supervisão de adulto. Mas podia colocar meu braço fino por entre as arestas do berço para tocar no seu bracinho gordo. E ela ria, querendo pegar.

Posso dizer que um obstáculo tentou se interpor em nossa estrada da vida: morar em estados distantes. Ver a ela e Camila nas férias era tão almejado quanto ver nosso pai. A distância é uma coisa injusta. É um momento de saudade do que poderia ter sido.

Só que, quase inacreditavelmente, também existe um lado justo- a distância confere valor de trailer de cinema em nossa vida, no momento em que a saudade se desfaz e nós nos reencontramos com quem amamos. Não havia tempo pra eu brigar, nem discutir, nem me emburrar com as irmãs. Eu as queria proteger, fazer penteados, admirar o sotaque. Era oportunidade de conhecê-las de novo, cada ano em uma nova fase da vida.

E, de repente, é numa batida de coração que tudo acontece. Por conta de um defeito congênito, aos dezoito anos Gabi passou por uma cirurgia cardíaca. Que suportou sem se vitimar. Que superou mostrando a todos que pior defeito tem quem não tem um Coração como o dela.

 Minha irmã mais nova faz aniversário hoje, e eu me pego a refletir (didaticamente, como a futura professora):
1-       Que o tempo só volta na nossa memória, por isso devemos fazer com que ele valha a pena;

2-   Que minha tentativa de ficar loira aos doze anos, pra ter o cabelo de Gabi, fracassou pavorosamente;

3-    Que não é porque Gabi na minha cabeça é ainda um bebê, que nunca vai se apaixonar, e namorar, e viver;

4- Que minhas três irmãs me ensinam todos os dias o significado de um amor incondicional.

Se eu pudesse fazer um trailer, Gabi, nosso filme seria o seguinte: a distância física entre nós seria seu bercinho de dormir. Com minha mão eu tentaria lhe alcançar. Com seu sorriso, você me alcançaria.

Luiza Versamore






Bambolê

Sofri uma grande decepção ao saber que o que fazia aquele barulho de chocalho dentro do bambolê, era na verdade, sementes de milho.

Manhã de inverno. Estava muito frio, eu vestia alguma roupa extravagante de lã vermelha e uma touca de tricô cru com pompons. Vó Maria me levava pela mão. Meu Ortopé azul-marinho tinha um bolsinho pra guardar dinheiro. Antes de sair de casa ela punha um trocadinho dentro do bolsinho, com a recomendação de que era pra trazer algo que eu gostasse da rua. Me sentia rica nessa hora, e cada passo, mais parecia um desfilar. Afinal, eu levava naquele pé um tesouro. Um tesouro que ia de ônibus até o centro da cidade, feliz.

Premeditada, vovó já sabia que meu desejo se tratava de um bambolê. Era o brinquedo da moda na época, e todos eram coloridos. Eu não me saía bem no rebolado quando ensaiava com o das amigas, algumas já faziam manobras com o pé. Eu deveria praticar, e pra isso precisava ter o meu. Parece que estou falando de um carro, é engraçado como as coisas mudam e as brincadeiras ficam sérias.

Mas voltando ao assunto. Entrei na lojinha da esquina ofegante. O cachecol me apertava, o nariz era gelado, a expectativa fervia. Haviam dois bambolês pendurados na parede, um era verde, minha cor favorita, e o outro preto, com uma fita dourada serpenteando toda a volta. Como era criança, quis o verde, de cara. Se tivesse conhecido Chanel não me atreveria. Mas as crianças daquela época queriam o brega, não queriam ainda usar uma roupa de adulto em miniatura, como é hoje.

Uma senhora que nos atendia estendeu-o em minhas mãos, e, ao largar, pequenos barulhinhos se soltaram no chão frio. O bambolê se abriu, e, de dentro, caíram alguns grãozinhos amarelos. Os peguei na mão e os encarei com horror, olhando incontáveis vezes ora pra vó Maria, ora pra atendente, ora pros grãos. Não podia ser! Aquele barulhinho gostoso sempre foi em minha cabeça, bolinhas coloridas, talvez comestíveis, como as coisas eram no filme da Fantástica Fábrica de Chocolate! E, aos quatro anos de idade, eu saí da loja com o bambolê preto e dourado, pensando na remota chance de que lá dentro dele tudo pudesse ser como eu imaginava.

Os dias que se sucederam ao fato foram de extremo cuidado. O rebolado era contido, deus-me-livre abrir o bambolê ao meio e eu fazer mais uma descoberta triste. No pé nem pensar, não me arriscava a emprestar, a fita dourada queria descolar. “Se você não brincar, vai ficar de enfeite na parede!”- a vó repetia.

“E se abrir e de lá de dentro sair milho?”- perguntei temendo a resposta. O que vovó disse seria a grande diferença da infância feliz que tive e da segurança que eu viria a sentir em certos momentos da vida, onde ficou claro que muitas vezes, talvez minha imaginação não pudesse me salvar de tudo.

“Faremos pipoca!”

Ainda hoje fecho os olhos perante essa lembrança para poder escutar o barulhinho, e então de novo sou criança. Nem sempre o que parece inseguro, é ruim. A beleza está em poder ter a oportunidade de saber a verdade. Por mais que nos doa.


Luiza Versamore





Pour Elise

O caleidoscópio e a caixinha de música vermelha: os brinquedos favoritos dos sete anos. Fui visitar os avós paternos na cidade vizinha à que eu morava. O caleidoscópio pertencia ao amigo mais querido do mundo, que coincidentemente também era meu tio, Luciano. Por uma dessas gratas surpresas da vida, ele tinha quase a minha idade, sendo eu dois anos mais nova. A caixinha de música vermelha era da minha vó Cris, e me foi “emprestada” por ela, por alguns dias, pra que eu pudesse escutar a melodia mais de mil vezes. Era uma daquelas caixinhas antigas de descanso para o telefone, que não lembro bem, mas provavelmente tocava Pour Elise*. À noite, para incomodar tio Lucho*, eu apertava o botãozinho de cima da caixinha e infernizava ele para que não dormisse. Era necessária a intervenção dos avós pra que eu parasse o desagradável tormento. Na negociação, consegui autorização para dormir agarrada com a caixinha.

Quando vó Cris entrou no quarto eu estava apontando o caleidoscópio para a janela, maravilhada pelas imagens que apareciam. Eram figuras verdes, azuis, e vermelhas, que ora pareciam estrelas, ora viravam flores. –“Nenhuma se repete, nunca!”- dizia ela. Não se repetiam mesmo. Era ficar horas tentando. Mudava de janela, procurava outros focos de luz. As formas variavam, nenhuma igual à outra. Inventei de tentar “desconstruir” o instrumento, pra saber que magia era aquela dentro dele. Claro que foi intervenção divina, vó Cris escolheu o momento certo pra barrar meu excesso de curiosidade. Quando desconfiou do meu silêncio, eu estava prestes a desmontar o brinquedo, salvo pelo poder da voz mansinha da avó.

A gente cresce e todas as coisas que tinham um significado sólido na nossa infância, passam a ter um valor quase metafórico quando nos tornamos adultos.

Aos sete anos era o caleidoscópio que prendia minha atenção com suas imagens todas diferentes e curiosas, como cabiam todas lá dentro, eu não sabia, e isso era toda a maravilha dele. Hoje, as diferentes situações da vida, já não nos deixam espaço para sermos meros expectadores. Não sobra tempo pra gente se perguntar o porquê de muitas delas. Muitas vezes não temos nem a iniciativa de querer analisar o que nos condiciona a pensar como pensamos. As milhares de situações que nos são apresentadas, e, até mesmo as corriqueiras, são vividas sem muito brilho. Por que deixar de nos cobrarmos atitudes melhores perante a vida? Sim, dá mais trabalho, mas se a gente pudesse resgatar por um instante destes muitos, aquela vontade de criança de entender como a vida funciona, veríamos com mais clareza o que realmente importa.

A caixinha de música emprestada por vó Cris foi comigo pra minha cidade, mas depois de mais negociações, ela conseguiu levar de volta ao me deixar o seu secador de cabelo em troca. Acho que deve ter sido aí que começou a minha mania de dormir com algum objeto ao lado, tipo cachorro que dorme com o ossinho. No meu inconsciente deve estar uma representação da pessoa, ou a percepção de proteção que isso me dá. Ou eu sou doida mesmo.

De qualquer forma, talvez o mundo, cheio de nuances complexas, seja tão simples quanto uma figura caleidoscópica, e a gente o complica demais.

A gente deixou de ter a sabedoria de vó Cris. Deixou de negociar uma paz interior, trocar um sentimento que nos desagrada por uma pequena possibilidade de saudade. Uma legítima e boa saudade.

Luiza Versamore


*Lucho é apelido carinhoso do tio Luciano
*Acho difícil você nunca ter escutado essa famosa de Beethoven, mas se quiser lembrar, está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=_mVW8tgGY_w




Palavras para ti


Aonde foi parar aquele livrinho da capa azul? Você o viu? Preciso dele. Mais do que nunca. Tinha uma página especial pra falar desse momento. E tudo estaria resolvido, porque eu teria todas as palavras ao meu alcance, e te daria delas, o maior aconchego que pudessem significar. Não o encontrei pra te mostrar.

Mas lembrei-me de que era simplesmente um Manual de Instruções que não ajudava, porque as páginas que eu queria estavam amareladas pelo tempo, não dava bem pra saber se diziam mesmo o que eu conseguia ver, e algumas páginas não diziam o suficiente. 

Aí lembrei de uma coisa. Mas era uma coisa incomparável com a tua dor. Só que eu resolvi me arriscar a escrevê-la, por cima do amarelado viver, talvez em vermelho, pra que sirva de consulta posterior a alguém que, no futuro, venha assim, coração despedaçado, carente de uma só resposta.

As palavras que usei, copiei-as de ti. Uma vez, ou mais, eu em pranto e desilusão, foste tu que me escreveste isso:
-“Uma vez, estando Chico Xavier muito debilitado pelas chagas que o afligiam, e um pouco envergonhado por estar lamentando seu sofrimento, decidiu consultar o espírito superior que o acompanhava. Alguns dias se passaram, e, Emmanuel, seu protetor, lhe trouxera em duas palavras, uma resposta enviada pelo espírito superior de Nossa Senhora de Aparecida, para grande surpresa de Chico. A resposta foi singela, e grandiosa ao mesmo tempo: “-Vai passar.””

Quando me escreveste esta mensagem, há muitos anos, me salvaste. Não me salvaste do momento, da ocasião de sofrimento, somente. Me salvaste de uma vida inteira que viria adiante. Eu me dispus a ser melhor a partir disto. Eu comecei a encarar todas as batalhas com um olhar de coragem. Me deste uma arma de defesa para a vida.

Mas não estavam escritas no livrinho azul.

És uma mãe incrível. Uma mulher extraordinária. Não duvide nunca que estou junto a ti, que a barreira da distância e a cara rude da saudade serão mínimas perto de meu amor.

Esse amor, que, fogo imortal, resistirá a todas as palavras, consolações, dores. Ele será reescrito, vivo, a cada dia, nos instruindo a continuar.

Eu estarei contigo.

Luiza Versamore


AS INDAGAÇÕES
 A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
Mário Quintana



Até logo!


Uma nova oportunidade. Uma possibilidade de fazer diferente. O fato é que no Ano Novo, ninguém quer continuar igual, todos querem melhorar de alguma forma. Seria perfeito se esse desejo permanecesse flamejante em nosso pensamento ainda depois de todas essas festas, promessas, e planos...

Faz parte da ventura humana almejar alguma coisa. Desde a personalidade mais infame, até a mais engenhosa, não existe uma alma neste mundo que não queira realmente apegar-se a um objetivo. Pode ser que seja apenas o de sobreviver. Ainda assim, nesses últimos dias de 2011, a sementinha dos desejos vai tomando forma e deixando crescer dentro da gente uma vontade bem grande de ótimas realizações.

Como último post do ano, quero relatar um pouquinho dos fatos marcantes da minha vida neste ano que passou...

Bem, meu ano começou todo brando e calmo, eu e meu “namorido” morando em um país bem diferente, tentando viver as dores e as delícias de dividir o mesmo espaço, e, curiosamente, apesar dos pesares, conseguimos nos sair muito bem. Aliás, se não tivéssemos nos dado essa força, teria sido bem mais difícil passar pelo que viria adiante. É, porque, bem sabe quem já “casou”, o quanto um relacionamento verdadeiro custa à inveja alheia. Sempre você encontrará alguém sem nenhum conhecimento de causa pra vir dar “pitaco” na sua vida, como se dela soubesse mais do que você. Mas encarei isso como uma forma de mediocridade e fui adiante.

Em março postei pela primeira vez aqui no blog, um texto antiguinho que eu tinha escrito no meio de uma aula chatinha. Não postei tanto como eu supunha que seria, mas me empolguei bastante pra escrever algumas memórias. Conheci blogs interessantes e blogueiros amigos, cujo incentivo foi brilhante e fortalecedor!

Quase no meio do ano, tivemos alguns percalços, um vilão foi desmascarado (leia aqui), amizades se tornaram mais fortes, novas amizades começaram.  

Tivemos um encontro MARAVILHOSO, quando nossa família veio prestigiar nossa formatura, e foi um dos períodos de minha vida mais feliz, exatamente por estarem conosco. Foi nesse momento que pude perceber que realmente, somente as pessoas que nos amam vão estar com a gente apesar de tudo o que somos. Foi quando vi que todas as horas de dúvida, ou toda a sensação de incapacidade, e toda a espera não foi em vão. E pude ver que, mesmo com tanta coisa por vir e realizar, valeu cada segundo viver esse momento.

Depois voltamos para o Brasil, e, ao sentar na cadeira de balanço de vovó, eu enchi minha vida novamente de combustível. Foi no soprar do ventinho de outubro na sala vendo vô Ary cochilar, que eu tive certeza de algo tão angustiante, mas eu ainda não sabia (e agora vocês vão rir): eu cresci!

Gente, eu cresci! Foi tão doloroso. Mas teve seu momento de alegria também. Me dei conta de como o tempo passa, a vida continua, algumas coisas mudam bem devagar. Também percebi que é fácil não nos darmos conta disso, se na nossa cabeça não houver espaço pra mudança, estaremos fadados a estagnar! E eu me dei conta que ninguém pode me fazer ser melhor, mas eu posso. É, foi assim mesmo, eu ainda estou chocada. Descobri que tem uma hora que as desculpas não têm mais lugar, nós temos que nos empenhar, a vida não vai esperar não.

Fui descobrir que a felicidade não está em um lugar, nem em um sonho, nem em uma coisa. Está em alguém. Então, posso dizer que, somente por essa grande descoberta minha, esse ano valeu mesmo. Meu alguém é o Rafa. Meu alguém é minha família. Meu alguém é uma amiga que mora longe. Meu alguém é quem eu possa ajudar de coração. Meu alguém é quem preze minha amizade desinteressadamente, apenas.

Então, essa foi uma síntese do meu ano. Agora chegou a hora de almejar ter a força suficiente pra continuar. Que tenhamos todos um Ano de 2012 excelente.


E, porque eu cresci, vou tentar fazer melhor.

Luiza Versamore



Papai Noel

Tenho uma notícia sobre a solidão que você ainda não sabe... Em um fragmento minúsculo de tempo o aperto no peito é tanto que posso sentir a mão da sufocadora em minha garganta. E ela se torna cada vez mais sólida, e eu fico estagnada, esperando que ela se solidifique cada vez mais, sentindo que ela está virando pedra ao me tirar um pouco o ar neste segundo infinito e inexplicável.

Daí me sinto criança novamente. E presto atenção... Com certeza! É isso! A época do ano em que estou! Uma época que só pode ser da menina, da sonhadora, na pureza de um dezembro.

Naqueles anos, aquelas eram as semanas favoritas de TODO o ano... um tempo vermelho, verde e de passas de uva “roubadas” de um furinho no panetone.

Que coisa absurda, na calada solidão da distância, me dou conta que existiu magia sim. Hoje ficam alegando que o papai Noel é figura capitalista pra ajudar a transformar o Natal em uma “coisa” comercial. Tá, como criatura adulta eu tenho que aceitar que sim. Mas o papai Noel que preencheu minha infância de esperança e brilho, era o papai Noel do livrinho de capa azul que contava a historinha do Beto, um menino que queria ganhar de presente no Natal, a visita do papai Noel, porque, era o Beto quem queria dar um presente a ele. Então, pra resumir, no final do livro, o Beto dá ao papai Noel um par de meias vermelhas, tricotadas pela avó de Beto, e papai Noel fica mega agradecido porque as suas já estavam furadas. A moral no final da historinha era que “o papai Noel cuidava tanto dos presentes das pessoas que não tinha tempo pra cuidar dele mesmo”. Eu explico, porque sei que ficou meio embaçado.

O que quero dizer é que, apesar da “coisa capitalista”, meu sonho era encontrar papai Noel pra agradecer. Hoje, se ele fosse de verdade, eu iria agradecer aquela noite, na casa de vovó, onde ao pé do pinheiro cheio de luzinhas, eu ficava sentada com meu primo adivinhando o que tinha embaixo dos embrulhos. Agradeceria pela vó que tinha ido buscar o galho de pinheiro na casa do vizinho pra que eu tivesse uma árvore com aquele cheirinho de mato gostoso exalando pela sala. Agradeceria pelo momento encabulado de ter que engolir o choro na hora em que as bolinhas de natal “quebravam” na minha mão (sim, bolinhas de natal eram caríssimas e feitas de algo parecido com vidro). Agradeceria porque vi vô Ary com seu bigode grisalho, cabelo lambido pra trás, colocando as cadeiras no pátio pra esperar o pessoal. Também agradeceria porque tinha recém chegado de Alegrete e visto meus avós Cristina e Alcione, e ela tinha deixado eu dormir uma noite inteira com uma caixinha de música com a qual eu “infernizei” meu titio Lucho, fazendo ela tocar bem na hora que ele ia pegar no sono! (Ele, certamente, não nutre essa saudade!)

Agradeceria sim ao papai Noel, essa noite de felicidade sem igual, em que minha mãe (ainda) não era a “gourmet” da nossa ceia, mas fazia uns sanduichinhos deliciosos de mostarda pra gente beliscar. 

Mas o momento mais lindo de todos, que eu agradeceria de verdade verdadeira, seria aquele momento dos abraços. Aquele encontro de olhares risonhos, quando chegava a meia-noite, e os tios e tias vinham levantar a gente no colo, onde existia também neles uma esperança de que tudo seria melhor, e que tudo valeria a pena. Era um pensamento tristonho de saber que papai vivia longe, e eu não o veria, mas afinal, era Natal. Era um momento grandioso demais pra durar tão pouco, mas, se durasse mais além do que deveria, não seria hoje com certeza, essa lembrança apertada, saudosa, forte.

Então eu cresci. E cada integrante de nossa família cresceu também. E sei que todos dentro dela têm coisas pra agradecer.
Talvez a vida de cada um tenha tomado rumos que naquela época não se podia prever. Vivemos muita coisa, longe ou perto. A gente se reencontrou, viveu, chorou e riu como nunca. A gente trocou os melhores presentes, que são aqueles que damos sem perceber aos que amamos: uma lembrança pura.

Então, crescemos. E, pela primeira vez na vida, por essas coisas que são como as bolinhas de natal daquele tempo antigo, lindas e delicadas, e, que a gente aperta demais e se machuca, eu estou aqui, morando bem longe.

Mas tem uma coisa: a solidão pode vir e me apertar o quanto ela quiser. Não acredito nela não. Eu acredito em papai Noel.

Luiza Versamore


Uma Resposta

Em meio ao ruído ensurdecedor de tanta coisa que acontece no mundo, eu me pus a pensar no nosso propósito de viver. 

Na semana que passou, no domingo, fiquei sabendo de uma triste notícia que me surpreendeu e me comoveu de um jeito tocante. Uma prima querida, nova ainda, faleceu lá na minha cidade, no Rio Grande do Sul. O que eu lembrei na hora que minha mãe me contou o ocorrido: uma luz imensa, que provinha de um sorriso encantador e vívido.

Fiquei a pensar no tempo. Será que vivendo longe estarei eu perdendo o tempo necessário que deveria estar dividindo com meus seres queridos, já que para mim, o  mundo parece não ter sentido sem eles? Será que o tempo não significará mais nada do que algo que faz a gente ir envelhecendo e perdendo nossos segundos a cada dia? Pensei, pensei, pensei. Mas não fiquei contente. Não fiquei feliz com as perguntas, na verdade. Porque as respostas me parecem cada vez mais claras: nossa função no mundo é simplesmente... viver!

Uma missão nessa vida, é claro, todos nós temos. Essa busca incessante do ser-humano de sobreviver num mundo tão adverso de situações é exatamente o que nos torna tão ávidos a ela. Na luta de cada dia, às vezes deixamos de lado questões profundas referentes ao nosso existir. Menosprezamos muitas vezes uma chance pequena de fazer diferente. Essa busca da felicidade através do estudo, do trabalho, do bem-fazer. Podemos fazer tudo isso junto? Ainda lembro do ego inflamado de adolescente, quem podia com a gente? Nós revolucionaríamos tudo! “Mas, espera aí, Senhor Tempo!” “Posso dar uma palavrinha com o Senhor?”  Não eram bem essas as etapas que eu esperava transpor no meio do caminho. Também não eram tantas as noites em claro, pensando demoradamente na vida. Não era esse “tantão” assim de paciência que eu achei que o viver exigiria, e mais ainda, a convivência com o próximo, por vezes, mil léguas longe de uma pequena evolução (emocional).

O tempo, a vida, os prazos que determinam tudo. Viver, pra mim, é buscar evoluir. Evoluo, na medida em que busco dentro de mim esse alguém que se desprovê de pequenos egoísmos e julgamentos fúteis acerca dos outros. Sigo evoluindo quando passo a ser um instrumento de carinho e paciência, essa última, demasiadamente esquecida nesse mundo de tantos porquês.

E a vida, bela, totalmente luz.
Presumo então, que por isso vale a pena. E é isso o que fica: uma saudade, um sorriso, uma felicidade de poder ter dividido num instante, aquele imenso sorriso.

Luiza Versamore



”Ninguém se eleva, sem esforço máximo da vontade, dos campos do hábito para as regiões iluminadas da experiência. Entretanto, ninguém atinge as múltiplas regiões da experiência sem passaportes adquiridos nas agências da dor.” Emmanuel


Antes que tudo se acabe!

Escutei tantas coisas sobre o fim do mundo na semana passada, que, inevitavelmente, me remeteram ao ano de 1995, a mais um dia quente de verão, dentro de uma sala de aula com mais trinta pré-adolescentes como eu, todos “fervendo” no momento mais infernal para um professor da quinta série, que era a entrada na sala de aula durante a troca de um período para o outro. É que nessa hora, toda a turma, já cansada de haver prestado atenção naquela “maravilhosa” aula de matemática onde letras começavam a aparecer no lugar de números (pois no meu antigo tempo escolar, a álgebra era recém inserida no nosso currículo nessa etapa), aproveitava pra recuperar o tempo perdido e começar a algazarra! Só que na sexta-feira, a troca do período de matemática era pela aula de português, ministrada por uma professora de olhar que variava do apático ao sombrio, que falava baixo demais pra uma pessoa normal, e uma cabeleira loira em corte Chanel, só que com raízes bem pretas a mostra. E ela era alta, muito alta, e de pés enormes, porque na hora de entregar as provas ou algum trabalho eu parava bem ao lado dela e como quem não quer nada, media o sapatão preto dela com meu pé de menina. Mas, como eu ia dizendo, sempre nesse dia a gente se acalmava na troca de períodos e esperava ela sentar e começar a fazer a chamada, todos comportados como anjinhos que um dia foram diabinhos traumatizados. Hoje fico pensando: “Essa tinha a manha!” Contarei agora como a dita cuja conseguiu de nós, pobres bobalhões dos anos 90, um respeito e uma atenção que depois de muito tempo só fui ver novamente cursando faculdade na Argentina.
No primeiro dia de aula do ano, volta das férias, ânimos enlouquecidos pela saudade do colégio, que na verdade era saudade dos colegas e da zoeira, aquela professora nova, começa a escrever um longo texto no quadro (isso era no tempo do giz, imagina!). Me diz agora, que criança de onze anos, em sã consciência, num dia de calor lindo lá fora, por mais que o uso da caneta agora estivesse liberado, iria querer escrever duas páginas inteirinhas, logo depois do almoço, pra exercitar a escrita? É claro que isso só podia resultar em bagunça! E começava sempre assim: um cochicho ali, uma borracha atirada lá, um “me empresta teu Liquid Paper” cá,(aliás, quem tinha corretivo naquela época era “o mais legal” da turma), e logo todos estavam dispersos, dentro de um mundo onde a Língua Portuguesa só servia mesmo para ser falada! Nesse grande momento de sublime agito, a nossa um pouco esquisita “profe”, para de escrever na lousa verde, se vira para o público ouriçado e espera. Depois de alguns vinte e muitos minutos de entusiasmada viagem ao mundo proibido da baderna em classe, a gente começava a “murchar”, silenciando aos poucos, vozezinhas morriam e todos se viravam para encarar aquela estranha criatura a nossa frente. Então, ela começou a falar bem devagar e baixo sobre o texto extenso escrito. Era uma história que se passava no futuro, onde as pessoas andavam em “mini-carros” individuais, com asas, que as levavam para todos os lados e onde tudo era futurista. Depois de ler tudo pra gente, ela começou a dizer: ”Por quê esse texto pode ser considerado uma fantasia do ser-humano?” Várias foram as respostas, uns diziam que era porque ficaria impossível inventar tantas “engenhocas”, outros opinavam que era porque o autor era muito imaginativo, outros concordavam com o autor de que era perfeitamente possível todas aquelas coisas virem a existir um dia. Então, a nossa gigante “pé-grande”, resolve nos explicar o porquê de nunca podermos ver as aeronaves aladas: “ É uma pena, mas isso tudo é uma grande fantasia do autor, já que o mundo não vai durar muito mesmo... (pausa para a grande revelação e uma quase transformação do rosto apático em tenebroso), porque o mundo vai acabar antes do final desse ano, então em 96 a gente já não existirá mais.” E, tal como uma grande profeta malvada, virou-se para o quadro e recomeçou a escrever, passando agora lições de gramática sobre o texto. Entendam, nós ainda não conhecíamos Internet naquela época, não sabíamos nem se o Google viria a existir um dia, e nosso banco de dados mais fiel ainda eram os adultos. Olhos marejados, Adriana, uma coleguinha que nunca falava nada, nem na hora do recreio, me olhava como que pedindo socorro. Alguns murmurios, medo, transtorno da fala. Escrevo um bilhetinho pra Ro, pensando que talvez ela possa me esclarecer se ouvi bem aquilo mesmo. E ainda faltava uma meia hora pra acabar a classe, e o pessoal em estado de choque, ninguém se manifestava, porque naquele momento a gente não estava de verdade querendo ter mais qualquer diálogo com essa “anunciante” do apocalipse! Acaba a aula... Ufa! Vou poder perguntar pra minha vó quando chegar em casa!
Os dias passaram e a gente passou a se comportar bem, na aula da “temida”, então, um pequeno grupo de meninas corajosas, fomos até ela e resolvemos perguntar a verdade. Posso jurar que o lábio direito dela ao nos responder com veemência: “Sim, acaba antes de 96!”, esboçou um leve sorrisinho de satisfação.
Assim, a gente passou a fazer planos pra concretizar ainda naquele ano: eu queria aprender aquela droga de aritmética, a Ro queria que eu fosse dormir na casa dela um fim de semana inteiro, a Adri a gente não sabe porque ela continuava calada. Hoje em dia o povo fica desesperado, faz anúncio, esquece que as avós que são mais sábias, já escutaram isso pelo menos desde antes de inventarem as redes sociais, e estão aí, aprendendo a mexer no PC! Porque até o mundo acabar (dizem que em 2012), pelo menos a gente aprendeu alguma coisa.
Luiza Versamore




Plantei amigos, colhi saudades...

Por incrível que pareça, a saudade vem. Morei na Argentina durante quase cinco anos. Era uma cidade do interior, na região nordeste. Clima fatigante, exaustivamente quente. Estudei   durante esse tempo, e, proporcionalmente ao que aprendi na universidade, foi meu aprendizado na vida. Um aprendizado muito intenso, dividido entre o desafio psicológico e o baque que é encontrar-se em um meio de confluência de todas as personalidades diferentes possíveis. Mas também um aprendizado valioso quando, (posso escrever isso com todo o sentimento de fraternidade possível), lá colhi algumas das melhores pessoas com quem convivi em minha vida. Na Universidade onde estudei, também estudavam, além de argentinos obviamente, muitos brasileiros. Conheci pessoas divertidas. Depressivas. Dramáticas. Buscadoras de objetivos. Perdidas. Encontradas. Cada um veio forjado de um lugar diferente.  Durante meus contatos com esse grande mundo amistoso, muitas vezes só fui perceber quem não era legal depois de muita indignação engolida ao tentar aceitar a realidade. Houveram várias pessoas que deixaram sua marca negativa quando passaram por mim, em alguma convivência infeliz. Mas, destes, não me faz falta falar. Assim, que vou deixá-los no mesmíssimo lugar de onde nunca sairão: na pasta de lições do passado.
A saudade, de mansinho chega, tão presente se faz ao lembrar dos momentos ao lado de pessoas que valeram a pena. Na verdade até as ruins valeram a pena, posto que com elas também aprendi que a face da maldade está a espreita. Se nossa vida é um aprendizado, valeu ter passado por todas essas vivências. Quando cheguei lá, estava com vinte e um anos, não conhecia ninguém e meu espanhol era “Hola, mi nombre es Luiza”. Com o tempo fiz amizades que sei, vão durar a vida inteira. Não fiz muitas, porque nunca fui de ter quantidades “sem-fim” de amigos. Eu fiz poucas. E as que mantenho até hoje, em franco contato, apesar da distância, são excelentes e admiráveis. Muitos conhecidos queridos. Mas, amigos, estes, é o coração quem escolhe, e não os horários da faculdade. Saudade, porque nas épocas difíceis dos estudos, eu tinha ao meu lado fiéis escudeiras. Na Argentina, ainda hoje, existe um sistema de aprendizagem muito rígido em algumas universidades. Existe um sistema de estudo intenso, onde o aluno é  frequentemente avaliado em todas as modalidades possíveis de provas, sejam teóricas, práticas e orais. Assim, a seleção vai acontecendo. Ao contrário do que acontece no Brasil, não há vestibular. A pessoa entra na faculdade depois de fazer três a seis meses de um “curso introdutório”. O processo seletivo vai acontecendo aos poucos, durante a faculdade, pois são poucos os que chegam ao final dela.
Mas eu havia falado que “colhi” amigos... a escolha foi assim. Amigos de verdade vêm sendo cultivados bem antes. Ainda não sei bem o que é que determinou o primeiro contato, talvez tenha sido sim os horários de aula, mas, e depois, pra continuar a amizade? Olhei atrás, nas vivências de cada um e busquei alguma razão. Foram talhados na família, não que tenham tido famílias perfeitas como as dos romances de novela, não, eu me refiro ao que eles puderam entender da novela de suas próprias vidas, sem isso de certinho, mas com um grande ponto de vista sobre os valores que deveriam respeitar. Até mesmo porque cabe a cada um avaliar o que viveu e tentar fazer ou não de outro jeito. Vi também que não era só o sonho da formatura. Os verdadeiros gostavam de sonhar junto. Se ajudavam, não só na faculdade, mas em tudo. Quantos relacionamentos começaram e acabaram sob a asa de uma amiga? Quantas notas ruins foram choradas e reclamadas e reestudadas com um amigo, noites adentro e um barril de  café pra animar? Quantas notas boas foram bebemoradas e bailadas com esses amigos? Quanta falta de grana, me-empresta-tua-blusa, te-pago-um-lanche, devolvo-mês-que-vem, divido-o-livro, no banco sem fins lucrativos da amizade? Quanta mão dando força antes de entrar pra falar com o professor cara a cara, aquelas mil páginas? O tempo passava assim, e a gente naquela pressa de aprovar, aprovar, aprovar, não se dava conta que já estava escrevendo uma história de saudade. Meus amigos foram cultivados muito antes de estarem ao meu lado. Eles souberam me enxergar no meio da multidão e vieram em busca de algo que também os agradou. Nós conseguimos, no meio daquele mar angustiante de tentar se entender, levar adiante as mesmas perspectivas, não esconder a dor de ser de cada um. Meus amigos verdadeiros foram leais antes e depois. Antes de virem e me encontrarem, porque necessitavam tanto quanto eu, serem assim. Não tentaram me agradar por algum interesse, porque eu não tinha mais nada do que bom-humor e um pouquinho (mas só um pouquinho) de introspecção, que era mais uma carinha fechada, antes de sentir mais confiança, do que antipatia.  Eles me confortaram nas minhas angústias e desesperanças e, se comentaram de mim para outros, foi para marcar alguma qualidade.
Por isso digo que são poucos. Afinal, coube a mim perceber quem entraria em minha vida para me ajudar a trilhar o caminho com bravura, e quem viria para tentar vendar meus olhos perante as pedras.
Meus amigos verdadeiros tiveram consciência, tolerância e persistência comigo, e tomara que eu também tenha podido ter para com eles. Não era coisa de momento. Cada um já tinha na bagagem um espírito forte e fraterno, e mesmo nos desentendimentos, as pazes puderam vir sem deixar cicatriz posterior, porque a intenção de cada um era segurar a barra, não se esquivar de estar ao lado.
Hoje, a saudade aqui, tão presente quanto a lembrança. A gente já sabia que um dia ia ser assim, que ela chegaria como uma já prometida amiga chega na estação do tempo. Chegaria trazendo aquele mesmo sentimento nos olhos que se encontravam no meio do tumulto de um saguão da faculdade, buscando uma notícia, um sorriso, uma explicação, um lugar no mundo, um lugar no outro.
Tenho poucos e bons amigos. Não importa o que a distância possa tentar separar. Junto a eles eu aprendi a ser melhor, e isso é estar perto também.

Tenho bons e poucos amigos.

E não preciso de mais nada.

“Aos queridos amigos que deixei, e que deixaram em mim uma inesquecível história.”

Luiza Versamore

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